Pieca Levy

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Estamos conversando com a encantadora e simpática brasileira, Pieca Levy, 55 anos, mãe de três rapazes, casada há 26 anos com o belga Patrick, moradora na cidade de Arlon, Bélgica, há mais de 20 anos e nada mais nada menos que a  fundadora e uma das responsáveis pelo tremendo sucesso do “Festival Du Film Brésilien”, realizado todo ano em Luxemburgo.

Pieca nasceu em Belém do Pará em 1958, viveu lá toda sua infância, adolescência e início da sua vida adulta, num cenário de muito amor e carinho pela sua família, de classe média que puderam também,  lhe proporcionar condições financeiras, para que ela pudesse viajar em eventuais férias escolares para outros países, o que lhe permitiu além de uma adaptação desde criança com diferenças climáticas e outras culturas, o domínio com a língua inglesa, além do conhecimento com o idioma francês, pois sua formação inicial foi realizada num colégio suíço, na sua cidade natal, onde ministravam aulas de francês.

Foi ainda na infância que nossa encantadora protagonista, que já apresentava um espírito forte e decidido, determinou que seu nome passaria a ser Pieca, um pseudônimo muito parecido com seu nome de batismo, mas que a deixava psicologicamente mais atraente e determinada, que é utilizado até hoje, principalmente após sua imigração para Europa.

Após terminar a faculdade de nutrição, Pieca deixou sua cidade natal e foi morar em São Paulo onde viveu e trabalhou por 8 anos e se especializou em gerontologia. Após esse período, aos 28 anos ela resolveu fazer uma especialização clínica em nutrição e imunologia no Japão, onde viveu por mais um ano . 

Antes da sua ida ao Japão, Pieca numa viagem ao Peru conheceu o grande amor da sua vida, seu atual marido Patrick, dentro de um trem no dia que ela estava completando 25 anos de idade. Inicialmente selou-se um amizade que durou por quase 3 anos, onde havia apenas trocas de cartões uma ou duas vez ao ano. 

Decorridos 2 anos, Patrick planejou uma viagem de férias, com uma das rotas ao Brasil e lembrando-se de Pieca, resolveu lhe telefonar para que pudessem  quem sabe, se encontrarem novamente.  Assim, passaram a ter um segundo contato, por aproximadamente um mês, onde Pieca lhe apresentou a cidade em diversos passeios que fizeram juntos. Mas ainda continuavam sendo apenas amigos, pois nessa época ela estava namorando um outro rapaz. 

Assim , Patrick terminou sua estadia no Brasil e continuou sua viagem, e ao retornar à Bélgica, encontrou uma carta de Pieca dizendo-lhe que seu relacionamento havia acabado e que estava muito decepcionada com aquela situação. Imediatamente, Patrick mostrando-se todo atencioso, telefonou para Pieca e a partir desse dia, todas as semanas, impreterivelmente passaram os dois,  horas e horas conversando ao telefone ..”Patrick passou a ser um amigo que me ligava todas as semanas, sempre muito atencioso, apaixonado por mim e tentando me consolar” … assim, Pieca acabou por vez, esquecendo o relacionamento anterior e se apaixonou perdidamente por seu marido. 

Mas, como já tinha planos de ir ao Japão, Pieca decidiu primeiro realizar esse objetivo e ao regressar do Japão, Patrick lhe propôs um terceiro encontro, agora por um mês, mas com o intuito bem definido, de viajarem juntos como uma lua-de-mel, de conhecer seus pais no Brasil e posteriormente trazê-la para viverem juntos em Luxemburgo, pois era o local onde ele trabalhava e morava naquela época. No final desse um mês, seus amigos e parentes fizeram uma festa para os dois, como se fosse uma festa de casamento e ela retornou com Patrick para Luxemburgo. 

_”Na minha cabeça eu pensava, que minha vinda para Europa, após um mês só de contato mais íntimo, seria um teste … sim um teste, se desse certo eu ficava, se não eu retornaria ao Brasil, enfim eu já era independente e sabia já o que queria para minha vida …”. Então, em  1988 Pieca chegou em Luxemburgo, o teste deu certo, pois está há mais de 25 anos com o grande amor da sua vida, com três filhos lindos, fruto desse amor e convivendo com um homem maravilhoso, atencioso e companheiro. 

Após sua chegada na Europa, Luxemburgo, de acordo com Pieca, estava muito longe de ser do que é agora. Era uma cidade interiorana, pequena, com a mentalidade extremamente fechada. Ela falava fluentemente inglês e tentava se comunicar em inglês, mas encontrava muito dificuldade, porque raras pessoas falavam o idioma. Após um mês , aprendeu a falar francês e falar bem, porque sua mente automaticamente foi resgatando o conhecimento adquirido anteriormente, no colégio suíço.  “No centro da cidade de Luxemburgo não havia nada, após 5 da tarde não se via ninguém nas ruas”, disse Pieca  …”Eu não senti preconceito racial, vou ser bem sincera, porque eu sou branca e com traços europeus,  devido a minha origem europeia .. mas percebia muito preconceito e discriminação nessa época…”

Ficaram apenas um ano e meio em Luxemburgo e logo teve que se deslocar, devido ao trabalho do seu marido para Nova York, Estados Unidos e já grávida de 8 meses do seu primeiro filho.  Assim, o casal morou aproximadamente por 6 anos na América e lá nasceram também seus outros dois filhos. Seu retorno a Europa, aconteceu da mesma forma que antes, devido ao trabalho do seu marido, porém chegaram a conclusão que seria mais fácil a família fixar-se na Bélgica, pois em Luxemburgo teriam dificuldades de adaptação, em relação a imposição de aprendizado de mais três idiomas aos seus  filhos.

Pieca se identificou muito com a Bélgica … ” A Bélgica é um país real, com problemas reais, as pessoas são mais receptivas e não vivem na utopia da perfeição …”,  chegando na Bélgica ela se adaptou ao clima e as pessoas, porém não conseguia exercer ainda uma atividade profissional.

Apesar da formação acadêmica em nutrição no Brasil, aqui na Europa, Pieca não pode exercer sua profissão,  devido a todas as dificuldades que geralmente um imigrante tem ao se mover para outro país, como a dificuldade com a equivalência de diplomas e a dedicação à maternidade de seus três filhos que foram nascendo em sequência.

Há 13 anos trabalha voluntariamente para uma ONG de projetos sociais para os países terceiros, chamada ASTM (Action Solidarite Tiers Monde) em Luxemburgo. Ela é a responsável pelos projetos direcionados ao Brasil, onde eventualmente, precisa se deslocar a fim acompanhar um ou outro projeto como gestora responsável. Mas isso não era suficiente.

__”Minha paixão sempre foi o cinema …” , Pieca mesmo com todos os afazeres que requer a maternidade, sentia também a necessidade de uma vida ativa relacionada ao meio social e movida por sua grande paixão ao cinema, direcionou toda sua capacidade e talento em lidar com a comunicação, em 2011, juntamente com outros organizadores, fundou o  Festival Du Film Brésilien”, e que agora acontece todos os anos, no mês de novembro em Luxemburgo.

Durante uma semana são apresentados filmes brasileiros selecionados e avaliados com muito critério e organização:

__” Eu trabalho 24 horas por dia, voluntariamente, para que esse projeto fosse o sucesso que é agora…”,  esse festival está na sua 4° edição, com absoluto sucesso, e é divulgado por toda a mídia local. Estima-se que nesse ano mais de 800 pessoas são esperadas para assistir os filmes.

Aliás, digamos que Pieca descobriu mais que uma vocação, encontrou nos projetos voluntários a sua satisfação profissional e pessoal.

Perguntamos a Pieca se ela tem vontade de retornar ao Brasil, e foi bem firme em nos responder que sim, apenas a passeios, pois não consegue mais conviver com o grau de violência e desorganização que o Brasil vivência nesse momento, que sua vida está aqui, sua família e que ainda tem muitos outros projetos para desenvolver neste país, a Bélgica,  tão maravilhoso que a acolheu como filha.

pieca cinema

 

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