Alice Ramos

           

Baiana solteira procura! Por Alice Ramos

Tem gente que vive muito bem sozinho, sem amar ou ser amado. Eu não!

Desde pequena sonhava em ter um companheiro pra envelhecer junto, ter uma casa grande e cheia de filhos.  Mas em Salvador todos os meus amores acabaram em traição. Todos, sem exageros e com muito drama.

Olhando para o meu circulo de amigas notei que as únicas mulheres que ainda estavam casada eram as que tinham casado com um gringo e optado por morar em outro pais! Mas eu amava o Brasil e não me imaginava largar a família, nem a minha carreira e muito menos meu acarajé! Então resolvi insistir em mais um soteropolitano que em pleno dia dos namorados devolveu o meu presente ao mesmo tempo em que aproveitou pra falar que não me amava mais (estava tendo um caso com a secretaria…).

Mais uma vez, me encontrava no fim do poço chorando pitangas quando uma amiga astróloga disse que uma revolução solar poderia me tirar daquele mau tempo. Sem entender nada sobre o assunto, gostei quando ela disse que eu deveria passar o meu aniversário em Amsterdam pois passaria aquele novo ano ganhando muito dinheiro! Com 34 anos, eu nunca tinha pensado na ideia de sair do meu país, mas naquele momento atravessar um oceano me soou como uma aventura necessária. Arrumei as malas, fui, amei e o dinheiro veio em abundância, quitei o apartamento, comprei carro a vista e obviamente paguei adiantado a revolução solar pro meu próximo aniversario! Desta vez, ela me sugeriu ir pro Panamá, onde eu encontraria o homem da minha vida! Oxi, comprei a passagem e fui toda cheirosa pro Panamá onde logo encontrei o Pierre, meu amor desde o primeiro olhar .

Depois de 2 anos de uma ponte aérea sofrível entre namorado na Bélgica e a filha no Brasil, coloquei na balança tudo que era contra e a favor,  decidimos que faríamos de Bruxelas o nosso lar. A minha adaptação foi muito tranquila e vou pontuar alguns dos pontos que foram importantes para isso:   – Através do finado Orkut , tinha feito varias amigas brasileiras na Bélgica ( esse “calor” pra mim é essencial) e fui muito bem recebida pelas Lulus, acolheram todas as minha perguntas e neuras e me senti em casa.   –

Com trinta e poucos anos, uma carreira estabelecida e uma filha pré adolescente, não deixaria meu país pra passarmos necessidade em nenhum lugar do mundo.  O fato de Pierre ser belga, conhecer a cidade, como as coisas funcionam e nos possibilitar uma estrutura parecida com a que tínhamos no Brasil foi um fator decisivo pra tentar a experiência de vir com a minha filha e vivermos aqui por 3 meses.

Fora umas pequenas dificuldades iniciais, minha filha foi se descobrindo belga de coração.  Isso foi um grande alivio e me deu mais certeza sobre a possibilidade de mudança.

A vinda foi muito planejada, sabia o que deixaria no Brasil e foquei no que poderia construir aqui.E assim se passaram cinco anos e nesse período, fizemos um belguinha, o Gui de 2 anos.

Recomeço a minha carreira aqui como fotógrafa e professora de fotografia e no momento estou dando um workshop de Fotonovela patrocinado pelo Itamaraty onde tenho a honra de ter como minhas alunas, vinte mulheres brasileiras e admiráveis. Enfim, aos 42 estou vivendo em outro país, o meu sonho de criança que virou um livro de fotografias através do Edital 003/2009 do Governo do Estado da Bahia de apoio à publicação de Ensaios Fotográficos, o livro “Alice, de passagem”.

DSC_6310alice

 

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