Janaína Povoa

10621067_725687550812787_378942427_n band.yellow (1)Janaína Povoa

 

E de repente, eu que nunca tinha pensado em sair do Brasil, me vejo organizando um bazar para vender minha coleção de roupas, sapatos e acessórios, porque nos próximos anos eu não precisaria dela.

E foi assim, uma decisão rápida. Vamos? – disse meu namorado, que depois se tornou marido e hoje já é ex. Ele tinha uma prima na Bélgica e por isso desistimos de ir para Londres, este deveria ter sido o destino. Com alguns meses, eu deixei meu trabalho na American Express Brasil, organizei o bazar e consegui juntar o dinheiro para as passagens e para me manter alguns meses. Ele acabou vindo na frente, para preparar moradia e emprego. Eu cheguei quase 1 mês depois. Moramos 5 meses em um república com outras 3 garotas que trabalhavam como interna e só vinham em casa aos finais de semana. Arrumei meu primeiro trabalho, 5 meses depois, antes disso, apenas algumas horas, como diziam as meninas, naquela época. Depois de 1 ano trabalhando na casa de uma família judia, eu me arrisquei na arte dos “bureau”, limpeza de escritório, ficava o dia todo de um lado pro outro, dava uma grana boa! Fui aprendendo todos os truques de agilidade e habilidade naquela profissão, foi quando fiquei grávida pela primeira vez, não tinha nem 2 anos de Bélgica, chorei os 9 meses de vontade de comer tudo aquilo, que hoje, naquela época não tinha, por essas bandas daqui. Parei com 8 meses e meio e voltei com 18 dias depois do parto, ao trabalho. Enquanto isso, o meu namorado, que agora era marido – sim porque a comunidade aqui casa você sem você ser casada, coisa de morar junto, sabe? – e pai de minha filha, se lançava como empresário. Deu certo, até certo demais, eram muitos brasileiros que trabalhavam com ele, hoje quase todos são empresários também, deu certo, pra todo mundo … Ele trabalhava de um lado, eu trabalhava do outro, sem folga, sem final de semana, 4 anos sem férias … Sim foram preciso 4 anos aqui, para poder ir 2 meses lá (Brasil), e nós que pensávamos que duraria apenas 1 ano, o intercâmbio… Sabe de nada inocente …

A Anna, minha filha, andou, falou, sorriu com a babysitter, perdi essa. A briga na justiça pela nacionalidade dela corria entre mim e a prefeitura, o francês naquela época não ajudava muito, as lágrimas eram inevitáveis. O advogado foi claro, não tem jeito! Virei meu próprio advogado, porque eu disse: – Tem que ter! Em seu aniversário de 1 ano, ela já era belga. Anna, além de nos dar a graça de sua presença, tirou a família da ilegalidade! Destino? … Nos anos seguintes, o processo para as futuras mamães brasileiras nunca mais seria o mesmo, descomplexou por conta de uma Póvoa que passou pelo governo belga. Dois anos mais tarde, isso acabaria, com a mudança, “do buraco”, na lei de crianças, de pais brasileiros, nascidas na Bélgica.

Em 2006, chegou Yann, a minha família estava então completa. O agora então marido, nunca houve o casamento, ia bem em seus negócios, as crianças cresciam saudáveis e felizes e a Póvoa aqui sentia que faltava algo, foi então que criei a JPS associes, que em 2009 era a maior empresa de limpeza brasileira da Bélgica. Eu trabalhava mais que quando cheguei em 2002, perdia toda a infância de meus filhos, envelhecia aceleradamente e o marido não estava nada, nada contente.

Foi quando decidi jogar tudo pro alto e parar .. Desacelerar! Pausar! Viver! Juntei malas e filhos e voltei para o Brasil. Passei o ano de 2010 todo, viajando e me divertindo, hoje eu me dou conta, foi realmente … MERECIDO!

Quando voltei em 2011, agora solteira, aluguei um pequeno apartamento, encontrei um trabalho assalariado, novamente na limpeza, e comecei a viver de maneira simples, mas com alguns planos. Eram eles: Aprender a falar neerlandês e inglês, fazer um bacharel em cinematografia e viver a Bélgica, como eu nunca tinha vivido todos aqueles anos que se passaram.

Nesse caminho aí, eu juro que não imaginava encontrar tantas pessoas bacanas, que me ajudaram a construir novas bases em minha vida, porque afinal, largada com 2 filhos a gente sempre acha que ninguém vai querer … E eu sou a prova viva que isso não passa de uma lenda, e que quem te ama, ama e pronto! Viu, meninas!

Et voilà! Hoje sou Uma brasileira na Bélgica, estudante de cinema (set/2014) e inglês, não passo fome chez les Flamonds. Estou tentando mostrar a Bélgica a minha maneira, a maneira que eu a descobri, incentivando meus companheiros brasucas a viverem e amarem este país como eu amo. Janaina Póvoa

P.S : Acho minha história de muita coragem, eu ainda tenho um sonho, que tenho a impressão que não se realizará, e eu quero conquistar o mundooooo!!!! 2014

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22 pensamentos sobre “Janaína Povoa

  1. LINDA SUA HISTORIA…EU VIVI AI 10 ANOS SOFRI MUITO MAIS FOI UM APREENDIZADO….HJ JA ESTOU NO BRASIL A QZE 1 ANO……ESTOU ADORANDO SABER O Q ACONTECE AI NA BELGICA PELO SEU FACE…..ABRAços e PARABENS PELA SUA CONQUISTA…..

  2. Ameeei sua historia lindona! Uma mulher batalhadora, que sempre corre atras do seus sonhos! Continue assim que vc vai conquistar muuito mais :*

  3. Prima Linda… =D
    Adorei ler sua história…
    Acompanho sua saga pela Bélgica desde quando te encontrei no “falecido” Orkut.
    Desde então admiro sua história de vida, e hoje, ao ler seu texto, me encantei mais ainda ao conhecer tantos detalhes dessa sua luta.

    $uce$$o pra vc SEMPRE… =)
    E no que precisar, e eu puder ajudar, conte comigo =D

    Bjo grande…

    Felicidades

  4. Ahhh… detalhe… Ano que vem eu me caso, e pretendo passar minha lua de mel em Paris…
    Quem sabe vc não dá um pulinho lá pra gente se conhecer, e vc me emprestar um pouquinho do seu francês?
    kkkkkkk

    bjo bjo =p

  5. Com garra e inteligência se chega em qualquer lugar. Cheguei aqui na Bélgica em 2010 pra morar com uma tia e ajudá-la em seus trabalhos. Conheci uma brasileira casada com um homem muito rico e me tornei babá dos seus filhos. Não pude continuar o trabalho, poestava ilegal, entõ, comecei a trabalhar nos “bureaux” e, algun s meses depois, essa msm brasileira me apresentou o projeto Alecrim, no Consulado do Brasil e, junto com a organizadora, me chamou pra trbalhar nesse projeto. Nessa msm época encontrei um certo Belga e alguns meses depois, estávamos casados. Como vc, eu tbm prometi pra mim que aprenderia o Neerlandês e o Inglês. Tô tentando aprender e ao msm tempo, fazendo tbm um curso de Conselheira em Nova Tecnologia. Vou chegar lá. Ah, se vou! Eu não brinco em serviço😀

  6. Parabéns, menina. Eu sou Bélga e morro aqui no Brasil em Goiânia. Meu caminho é do contrario do seu. Eu também teho que lutar. Achei sua história muito legal.

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