Inês de Oliveira Lima

 

 

band.yellow (1) Inês de Oliveira Lima

Minha experiência na Bélgica, Chequei em Bruxelas em abril de 1996 junto com minha filha que na época tinha 7 anos para encontrar com o meu marido que já estava morando aqui. Minha primeira impressão não foi boa, achei a cidade feia, as ruas estreitas e tive a impressão que a cidade era um grande aglomerado. Contudo, meus sentimentos e expectativas foram positivas, senti curiosidade de descobri-la e conhecê-la melhor.

No inicio como eu não conhecia o idioma fui trabalhar com os portugueses, após meu curso de francês comecei a trabalhar em outras casas. Contudo após 2 meses aqui vive uma grande decepção, minha filha não se adaptou e pediu para voltar ao Brasil. Foi uma grande prova da vida, pois tive que escolher entre ficar aqui com o meu marido, ou retornar ao Brasil com a minha filha. Fiquei dividida entre os dois e posso lhes assegurar que foi uma decisão muito difícil. Escolhi ficar e investir em um futuro melhor aqui, pois lá no Brasil eu já sabia o que me esperava inflação, desemprego e outros problemas. Ela retornou a Bruxelas após dois anos e definitivamente, mas durante este tempo eu sofri muito com a falta da sua presença.

Em 2002 nasceu minha segunda filha, com (..) foi ai que resolvi procurar a nos legalizar decorrente da necessidade de ter documentos para garantir a segurança para o seu tratamento. Dei entrada nos documentos em 2002 e os mesmos nos foram negados por 3 vezes e somente em março de 2004 que nos fomos legalizados graças a minha segunda filha. Decorrente a sua doença ela precisava ser operada com urgência do coração, assim o tribunal deu autorização somente para que eu ficasse para acompanhá-la na intervenção. Nesta época meu marido e minha outra filha já estavam com o mandando de expulsão.

Tive a oportunidade de participar da audiência em que o tribunal iria decidir nossos destinos e pedi a oportunidade de poder falar diante dos juízes. Perguntei a eles “Coloquem -se em meu lugar e pensem como será difícil estar aqui sozinha em um momento tão difícil, minha filha irá realizar uma operação de alto risco e onde irei buscar forças e coragem para viver esta situação sem minha família ao me lado”. Eles aceitaram de estudar novamente nosso dossiê.

Foi com grande emoção e com a bênção de “Deus” que no novo veredicto o tribunal tinha dado a permissão para toda a família. Após 8 anos na clandestinidade eu já estava no limite físico e psicológico e foi com muita alegria que finalmente poderia anunciar a todos que eu existo e vivo em Bruxelas. O sentimento que senti foi este: “de fazer parte de algo, de existir na sociedade e ter poder ter meus deveres e direitos. Outro sentimento que senti, foi uma grande tranqüilidade na proposta de ir e vir já e que agora eu tinha dois países.

Nestes 17 anos aqui cresci muito, principalmente com este convívio diário com diferentes culturas. Aprendi a gostar de Bruxelas e não tenho mais aquela impressão de que é uma cidade feia e exprimida. Hoje sou muito grata a este país principalmente pelo que fez e tem feito pela saúde da minha filha. 2012

depoimento direto no site Me Brasil

 

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