Sidnei Tendler

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Nome: Sidnei Tendler

Data do nascimento:22/02/1958 RJ Rio de Janeiro

Desde quando na Bélgica? Como morador definitivamente após 2000

Quando você era jovem já pensava em morar no exterior ? Sim , fiz um ano de curso em Nova York

Alguém da sua família já tinha migrado ou você é o primeiro a morar no exterior? Um irmão. Exilado nos tempos da ditadura. Voltou para o Brasil com a anistia.

O período da  ditadura  no Brasil foi um fato marcante para você?
Foram ! Em 1968, eu tinha apenas 10 anos, mas meu irmão, que naquela época estava com 18, foi obrigado a fugir do Brasil.

Quais estudos  realizou?  Formei-me em arquitetura, depois fui para Nova York estudar na Parsons School of Design, voltei para o Brasil, comecei o mestrado em Urbanismo na UFRJ, mas não terminei. Fui trabalhar com arquitetura e design. Em 1986 desenvolvi uma técnica em pintura sobre madeira e depois, pouco a pouco, fui parando com a arquitetura e o design e me dedicando a pintura.

Porque muitos artistas brasileiros estudaram arquitetura?
Sim, o currículo de arquitetura é muito horizontalizado. Você tem acesso a vários campos  que te dão uma orientação geral. Isto acontece há milênios. Desde a Grécia os arquitetos esculpiam, pintavam etc.

Seu Trabalho no Brasil : iniciou se com que  idade ?   Meus primeiros trabalhos profissionais foram como fotografo paralelos a faculdade  com 18 ,19 anos.

Família: ascendentes  e ou descendentes ficaram no Brasil? Quando viemos para a Bélgica  definitivamente ,eu  e Carla( esposa)  trouxemos nossas duas filhas de  14 e 16 anos.

E a Bélgica? Porque a Bélgica?
A minha primeira exposição na Bélgica foi em 1983. Tive o convite de um artista gráfico belga que viu o meu trabalho em Recife  para fazer uma exposição num centro cultural da cidade de Beerse. Depois dessa exposição  recebi convites para voltar todos os anos.
Em 2000  fiz um workshop no  Castelo Den Ouden Bareel, Vosselar,Belgica  durante 3 meses e fiz diversos contatos, a Carla também veio e decidimos  fazer uma experiência  de morar um ano aqui.
Uma fotografa  belga que acompanha minha obra  esteve presente  desde o inicio  em todas as minhas exposições até 2000, trabalhava na Comuna e eu perguntei da possibilidade de conseguir um visto para me instalar aqui e trabalhar durante um ano, o que me foi concedido e nós viemos.

Quais os laços de família  que vieram para  a Bélgica? Eu, Carla e as minhas filhas de 16 e 14 anos e  que foram estudar na Escola Européia em Mol .Primeiramente moramos em Beerse mas depois nos mudamos para Mol e moramos lá  até que as meninas vieram estudar em Bruxelas na ULB. Moramos em Bruxelas ou cercanias desde 2005. Hoje com as filhas  crescidas, uma foi morar em Paris mas voltou recentemente para a Bélgica   e  a outra casou, está no Brasil, onde nasceu meu neto.  Montamos uma nova galeria no Rio de janeiro e estamos vivendo itinerantes nesse ano entre o Brasil e a Bélgica.

Quando chegou qual a sensação, do local ,e de ser estrangeiro, algum problema de integração?. A questão da integração… Eu acho que eu sou integrado aqui, assim como eu sou integrado no Brasil , nos Estados Unidos, na Holanda. Essa questão é muito aberta,  o que é ser integrado ? Eu me sinto integrado no mundo, me sinto mais um  cidadão do mundo, sou mais integrado ao mundo do que a uma  determinada região particular. Mas, tenho as minhas referencias emocionais.

Você já se sentiu  rejeitado por ser estrangeiro aqui  ou  no Brasil  quando volta?Na verdade eu nunca parei muito para prestar atenção nisso…Na verdade você pode se sentir assim em qualquer lugar, até na rua onde nasceu.

Aprendeu alguma língua? Eu falo francês, inglês e neerlandês, aqui aprendi neerlandês, fiz um curso de três anos.  

E as Relações sociais aqui na Bélgica ?  Até 2005, tínhamos muitos amigos nas cidades flamengas por onde moramos. Em 2005, quando o Embaixador Moscardo resolveu trabalhar com a comunidade brasileira na Bélgica, houve uma aproximação natural. Em 2007, a Carla começou a trabalhar no consulado e reforçou esse contato. Hoje temos amigos belgas e brasileiros.

E a sua arte o seu  trabalho aqui ?
Desde que cheguei, tive a oportunidade de mostrar o meu trabalho nas cidades belgas. Já expus em Ostende, Bruxelas, Geel, Mol, Vosselar, Beerse, Turnhout,  a maioria das vezes com exposições individuais, o que é muito mais difícil. Tive críticos belgas analisando o meu trabalho. Já vou para a edição do terceiro livro, os anteriores estavam a venda em livrarias belgas. Não posso reclamar. Mas ainda acho que existe uma barreira natural  do mercado em relação aos artistas estrangeiros que aqui vivem.

E daqui pra frente? Continuar com o  ateliê. Tentar trazer cada vez mais gente para ver o meu trabalho e de outros artistas também.

 E o Brasil? Continuo tendo uma relação muito forte, agora ainda mais que tenho um neto lá no Rio.  Montamos a Galeria Tec – Tendler Contemporânea  com o desejo de fazer uma ponte entre os artistas daqui e do Brasil.

Alguma coisa a mais da sua vida que você queira contar sobre a vida do brasileiro aqui o que o Brasil poderia fazer, o que te faz falta?

A gente que é artista sempre precisa de apoio. Meu  trabalho não é comercial , eu não viso comercio e com isso é muito mais difícil de se viver dele. Tenho outras preocupações, me sinto um pesquisador. Eu preciso vender pois eu preciso viver. Mas imagina se todo pesquisador tivesse que viver do fruto de sua pesquisa. Sem o apoio governamental e das universidades.  Um artista que trabalha com essas premissas  precisa de apoio ,precisa ser subsidiado e apoiado para o desenvolvimento de um trabalho independente do mercado.
Eu sou um artista contemporâneo brasileiro que tem uma  visão da arte  sem estereótipos  e que mora na Bélgica como poderia morar no Brasil ou em qualquer lugar do mundo.

Eu tive um projeto em 2009: 2010 de fazer exposições na Embaixada  com artistas vindos do Brasil  mas como não houve interesse do Itamaraty , esse projeto foi feito aqui no meu atelier custeado por mim. Seis artistas brasileiros tiveram a oportunidade de mostrar o seu trabalho em Bruxelas.
No projeto  jovens talentos de 2012 se mostrou também uma artista brasileira .

Eu fui curador  sem nenhum tipo de salário durante dois anos  na Embaixada do Brasil na Bélgica e um fato importante :
A Embaixada do Brasil só existe  hoje no térreo da  Av Louise por causa de um movimento da comunidade brasileira. Nós da comunidade que nos reuníamos uma vez por semana com o Embaixador Moscardo  sugerimos que a Embaixada que se localizava no 5° e no 6 ° andar do prédio  viesse para o térreo e fosse feito uma galeria de arte, uma sala de cinema,palestras e uma biblioteca. Nós ajudamos  efetivamente, na montagem , transportamos moveis , etc. A Casa do Brasil foi montada por nós ! Numa palestra do Antônio Patriota, na época secretario do chanceler Amorim, pedimos todo o material de áudio visual que  prontamente atendeu o nosso pedido. Naquele tempo, fizemos muitas exposições e eventos, a media de publico era de 150 pessoas.
Depois, houve uma mudança de política no Itamaraty, a comunidade foi sendo afastada e se afastando e hoje voltamos a etapa inicial: o Embaixador vigente chama para a celebração do sete de setembro em sua casa, e só ! Foi feito uma reforma na Casa do Brasil, que ficou muito melhor, mas quase nada acontece e quando acontece, é para uma meia dúzia de gatos pingados.
Felizmente o Consulado foi desmembrado da Embaixada e a Kátia Gilaberte que tem a mesma verve guerrilheira cultural do Moscardo, tem apoiado bastante coisa.

Isso é importante, pois a cada vez que se fala nos meios políticos comunitários   Belga  e solicitamos um espaço para eventos culturais da comunidade brasileira  uma “Casa do Brasil  “e aqui , recebemos a resposta que nós  já temos um espaço, A Casa do Brasil , mas no qual o acesso nós é bastantes restrito pois houve uma mudança de orientação , em que o espaço é utilizado pela embaixada, para eventos vindos do Brasil para os Belgas!

Sim, na época fizemos varias exposições mais de 200 eventos nesse  período  de vários artistas brasileiros  que vivem aqui e também que vieram do Brasil , O festival do cinema brasileiro , foram 6 edições do festival de cinema , que acabou em 2010 . Eu fui o curador da primeira e das ultimas três edições, mas que hoje acabou. Eu fui convidado  esse  ano para o festival de cinema da casa da América latina ,mas não existe nenhuma relação forte com o Brasil. Pouca coisa acontece em português.
Nós tínhamos reuniões semestrais do conselho de brasileiros no exterior  da qual eu fiz parte,havia um encontro semanal com o Embaixador. A sala era um espaço aberto, quem chegasse era bem vindo. Como acontece com as prefeituras aqui na Bélgica. Os prefeitos são obrigados a um dia por semana atender a população.
Essas ações, faziam parte  de  uma política de  valorização dos cidadãos brasileiros no exterior ,de embaixadas participativas e que os cidadãos brasileiros  eram considerados “ embaixadores “ participativos  , que movimentou bastante  a comunidade.
Hoje  a comunidade cresceu muito, se diversificou, e o conselho de cidadãos acabou.

Então para  resumirmos :A casa do Brasil foi um pedido da comunidade brasileira para eventos e   também  existia uma biblioteca e uma sala de exposição  e um auditório  que existe até hoje e foi remodelada em 2011 ,com a aquisição de um maior espaço físico devido a mudança do consulado que também funcionava no mesmo local. Hoje esse espaço se resume aos eventos que a Embaixada realiza para mostrar aos  Belgas.

Isso mesmo, em tese, na realidade, acaba não indo nem os brasileiros e muito menos os belgas.

Qual o  seu projeto de vida hoje?  Em curto prazo, a edição de um livro sobre o projeto 6 cidades e a divulgação do meu trabalho e de artistas que participam do ateliê.

Isso é um exemplo vivo de que a relação da memória social dos brasileiros na Bélgica aumenta e cria laços de relações entre os dois países? SIM as relações se intensificam em trocas e  conhecimento mutuo dos artistas e dos países.

Seria bom que o apoio que o Brasil hoje da as artes e a cultura em geral fosse estendido também aos brasileiros no exterior? Sim claro, nós somos antes de tudo e independente  do trabalho que  fazemos difusores da  arte  e do nome do Brasil no exterior.

Isso é um exemplo vivo de que a relação da memória social dos brasileiros na Bélgica em particular e no exterior  como um todo , aumenta e cria laços de relações entre os dois países

 Nós do Me Brasil – ponto de memória dos brasileiros no exterior – gostaríamos de agradecer seu depoimento e que ele  fique  aqui registrado como uma parte dessa memória e do trabalho que os brasileiros estão aqui desenvolvendo, e  acreditando que cada vez mais, estaremos mostrando a nossa comunidade   a importância de todos os seus componentes  e que   e as ações que  desenvolvemos como brasileiros contribuem   e muito para divulgar o nosso país no exterior
Relação de projetos do pintor Sidnei Tendler durante sua estada na Bélgica

Projetos de pintura já na Bélgica

·      2000 – Painel sobre os “500 anos de cultura europeia no Brasil “. Tela de 16 metros de comprimento por 1,60 de altura. Exibida no Museu Nacional de Belas Artes (Rio de Janeiro) (2000) e no Castelo Den Ouden Bareel, Vosselar, Bélgica (2000).
·      2002 – “365 – um Diário Visual”. É constituída por uma aquarela por dia e uma lona por mês, com as dimensões de 1,40 x 1,40 m.ao longo de um ano. Este projeto foi apresentado na Galeria Vromans, em Amesterdão (2003) e no Centro Cultural Het Werft em Geel, Bélgica (2006).
·      2003 – publicação do livro “365 – Um Diário Visual”. Realização do projeto “Valencia – 117 desenhos”. 2004 – Terra Prometida – lona de 6 x 1,20 metros sobre o Antigo Testamento . Este projeto foi apresentado na sede do jornal Le Soir de Bruxelas (2004) e no Fort Napoleão, como parte do Projeto de Fort Europa em Ostende, Bélgica (2007).
·      2005 – Projeto seis cidades. Seis cidades foram escolhidas, um em cada continente. Em cada uma dessas cidades, o artista ficou pelo menos dez dias pintura e coleta de material para a realização do projeto. Cidades escolhidas: Rio de Janeiro – Brasil (América do Sul). Los Angeles – EUA (América do Norte). Bruxelas – Bélgica (Europa). Cidade do Cabo – África do Sul (África). Sydney – Austrália (Oceania). Tóquio – Japão (Ásia). O projeto terminou em Janeiro de 2007.
·      2007 – projeto Undedun “Aquele que traz dentro da outra”. Projeto em técnica mista sobre papel. Este projeto foi apresentado na Casa Brasil fazer em Bruxelas (2007) e da Universidade Cândido Mendes, no Rio de Janeiro (2008).
·      2008 – projeto UndeSire “Aquele que quer estar dentro do outro”. Projeto feito em formato de livro – 80 páginas com desenhos em técnica mista.
·      2009-2010 – Projeto Somos, consiste de um painel de 14,0 por 4,50 metros de altura, 4 painéis de 1,80 por 1,80 metros, um painel de 2,40 por 1,80 metros e 10 esboços em aquarela.
·      2011 – Participa na Europalia: Arte no Brasil 1950-2011 no Museu de Bozar em Bruxelas / Bélgica, mostrando seus desenhos de inverno.
·      2011 – Projeto Entre o olhar e a  vision. Going além do conceito de Open Art
·     2012 – Projetos Qui a vecu a Paris

entrevista 2012

sidnei livro

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