Dione Costa

 

CarnaBXL Di 1

Dioni Silva Costa
Rialma, Goiás
7 de outubro de 1968
Mora em 1000, Bruxelas

“Dioni Costa, uma mulher fora de Ceres”

Teria algo de errado com esse título? Absolutamente nada. Dioni é uma mulher fora de Ceres, sim. Fora, na verdade, da cidade goiana chamada Rialma, município colado e vizinho da cidade onde nasceu, Ceres.
Rialma e Ceres são separadas e ao mesmo tempo ligadas por uma ponte. Por esse e outros motivos é que os moradores de Rialma brincavam com essa figura tão querida dos brasileiros em Bruxelas, Dioni Costa.
“Os habitantes de Rialma e Ceres sempre tiveram uma rixa, uma rivalidade entre elas, apesar de se adorarem. Os músicos, por exemplo, moravam em Rialma. E como eu sempre adorei cantar, acabava ficando entre uma cidade e outra. Então, sempre brincavam comigo que eu era uma mulher fora de Ceres. É de família o gosto pela música. Na verdade, meu pai é Embaixador de Folia de Reis (grupos que visitam as casas tocando músicas alegres em louvor aos “Santos Reis” e ao nascimento de Cristo) e isso me impulsionou muito”, conta.
Dioni canta desde os cinco anos e, com o tempo, passou também a compor músicas. Revelou-se com sua voz contralto de alto nível.
Depois de fazer carreira em Ceres, Rialma e Goiânia interpretando as cantoras Tetê Espíndola, Elis Regina e Gal Costa (e ganhar vários festivais de música de Goiás, um deles foi Gremi de Inhumas – melhor intérprete),

 Dione veio para a Bélgica em 1994

“Deixei meu filho de dois anos no Brasil e, meu marido (também músico e baterista) e eu, viemos tocar em Bruxelas. Ficamos um ano tentando nos adaptar no país. Na verdade, o convite foi feito ao meu marido e eu vim seis meses depois. Ele veio a convite de Adélcio Jr. tocar com ele num restaurante a Bascule “La Cannele”. Mas estava muito difícil e resolvemos voltar para o Brasil. Depois veio outro convite com a Companhia de Teatro de Revista “Brasil Tropical” para viajar pela Europa. Foi maravilhoso mas curioso também. Na República Tcheca, por exemplo, fizeram os integrantes do grupo lavarem os pés numa bacia cheia d´água antes de entrassem no país com o argumento que o ato tiraria os micróbios. Em Beirute, tivemos que retornar a Bruxelas de uma hora para outra. Na China, as dançarinas tiveram que cobrir as pernas por ordem da censura e eu tive de cantar em chinês o hino do comunismo”, uma maneira de se comunicar com o público, orgulha-se pela agradável lembrança.
“Mas após o termino da turnê do grupo, resolvemos ficar e colocar para frente nossos próprios projetos. Criamos o CarnaBruxelas que realizamos oito edições. Em seguida, fundamos o grupo Pau Xêroso e a orquestra Bem Brasil e, quando fomos regularizados, criamos a “ASBL Brasil ART Vision” que promove a cultura brasileira, apoia vários projetos, dentre outros os ateliês nas escolas na Bélgica, com o educador musical e seu companheiro.

Augusto Rêgo”, explica.

A cerezina lembra que uma vez encontrou com Tetê Espíndola e ficou toda eufórica. Mas logo o sentimento feliz se transformou em frustração. “A gente tem mania de supervalorizar o artista como uma pessoa diferente, de outro mundo, mas na verdade é igual a todos. Fui apresentada à Diva da época por um amigo dela. Cumprimentei e ela respondeu educadamente, um oi, tudo bem? e ficou por isso mesmo. Fiquei ali olhando para ela e dizendo para mim mesma como um artista é igual a gente. O que mais, afinal, eu poderia esperar dela?”.
Novo impulso
A versátil Dioni tem no momento um CD na gaveta onde interpreta samba, bossa nova, baião, reggae, blues, balada e espera que seja lançado em breve. “Os belgas sempre adoraram a música brasileira. No final dos shows, eles agradeciam e sempre faziam comentários agradáveis a nossa musica e à performance. Sou realmente uma pessoa realizada”.

Futuro

Além disso, Dioni, depois dos três anos de estudos, é agora animadora socio-cultural (Bagic) e acabou de receber o brevet de animadora na Arte do Espetáculo. Dois de seus objetivos são: de transmitir sua experiência e fazer trabalhos sociais.
“A música me fez e me faz tão bem que tenho um sonho: o de montar uma escola e convidar crianças e jovens em dificuldades, propria da juventude de hoje, para aprenderem a nossa música. É um projeto que está se concretizando em Bruxelas. Poderia acontecer, por exemplo, às quartas à tarde, quando as crianças saem mais cedo da escola…” frisa.
O marido, Augusto Rêgo, é educador musical e dá aulas de percussão na Bélgica. E no Brasil faz um trabalho maravilhoso com crianças e a escola de samba Portela.
Dioni e Augusto também ajudam, através da música, como paroquianos na antiga Paróquia Igreja “Jesus Trabalhador” atual Paroquia 3Santo Antonio” à Forest, em Bruxelas.
Os dois se conhecerem quando Dioni tinha 20 anos no Carnaval de Rua em Porangatu, quando contratados pela Prefeitura para a “Banda Jibóia” e nunca mais se separaram. O filho deles veio para a Bélgica em 2002 e é musico como os pais.

Dioni Paris CS

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