Teresinha Leal

 

Terezinha leal

band.roxoband.redDra Terezinha Leal  

                                        origem  Teresina Piauí

imigração cultural na área das ciências e tecnologia

P Inicialmente fale um pouco do seu percurso ate aqui:

Nasci em Teresina Piauí, mas estudei medicina na universidade de Fortaleza e depois mudei para o Rio de Janeiro onde fiz uma especialização em endocrinologia no IEDE ( Inst estadual de diabete e endocrinologia)

P Quando a vontade de imigrar se concretizou e porque?

Eu vim para a Bélgica porque ganhei uma bolsa de estudos do consulado belga para estudar em Lovaina por um ano depois concorri a uma bolsa do CNPQ Brasil e continuei meus estudos e pesquisas por muitos anos quase 30, ate hoje.

Junto comigo nas vésperas da viajem fui informada que eramos dois os contemplados entrei em contato com a outra pessoa contemplada mas ,já tínhamos decidido viagens e etc Ele chegou aqui um pouco antes de mim e me recebeu muito bem se tornado um grande amigo

No dia seguinte da minha chegada encontrei o homem com quem me casei 4 anos depois

Chegando aquela brasileirinha bronzeada de sol de entre os trópicos ,o meu amigo brasileiro me reconheceu facilmente e me acolheu calorosamente como se fossemos amigos de longa data, no entanto nunca nos havíamos encontrado. Pierre, que se tornou meu marido por conseguinte, assistiu com admiração o espetáculo do encontro dos dois brasileiros e em lamentos atribuiu aos dois um falso papel de ‘enamorados’. Embora o“coup de foudre” como se diz em francês “amor a primeira vista” tenha sido bilateral, alguns meses se passaram para que se torne claro que Teresinha e o amigo brasileiro eram apenas amigos e que a brasileirinha permanecia livre e desejosa do contato com o belguinha Pierre. A titulo de esclarecimento, o amigo brasileiro era homossexual e a amizade entre os dois brasileiros era meiga e sem pretensões. Pierre integrou esta informação em tempo util.

P Mas você tinha se interessado pelo seu Marido, ou ele que se interessou por você ?

Foi absolutamente bilateral e mutuo. Apos os 4 meses necessários aos esclarecimentos de intenções dos dois lados, namoramos por 4 anos antes de decidirmos de casar. Estes 4 anos foram necessários aos dois para fazer reflexões sobre todos os ângulos quanto nossas capacidades de comungar ao cotidiano culturas diferentes, de eventualmente transmiti-las em concertação, sem gerar conflitos aos nossos filhos que forçosamente herdariam bagagens diferentes dos pais

Vivemos juntos na Bélgica durante +24 anos tivemos 2 filhos que são orgulhosos de terem uma mãe brasileira e um pai belga. Construímos nossa vida em Bruxelas Atualmente o casamento acabou, mas continuo morando na Bélgica e exercendo minhas atividades profissionais Embora mantenha contatos regulares com o Brasil através de amigos e família, e procure manter localmente as raízes nativas da cultura brasileira, não penso em voltar a viver no Brasil. Atualmente viajo ao Brasil a passeio ou por atividades profissionais que em geral tento combinar sempre que possível.

P Suas relações sociais seus amigos são de onde?

A maioria resulta de relações no trabalho e de contatos da vida social do casamento. A maioria e’ de origem belga , mas cultivo igualmente amigos brasileiros

P A sua relação com o Brasil , tem saudades da família ,o que mais gosta?

A noção de família sempre foi uma força que me favoreceu e favorece o equilíbrio pessoal. Embora distante de membros familiares, mantemos contatos que mesmo não sendo regulares por momento, se reativam em tripla velocidade quando nos reencontramos no Brasil ou na Europa. O fato de termos perdido ha pouco a irmã que veio para a Bélgica nos reatou inicialmente em torno de seu sofrimento que precedeu sua morte. Nestes duros momentos, nos sentimos todos unidos em torno dela. Depois que a perdemos, ficou em nos o desejo de mantermos a força que nos uniu igualmente intensa. Muitos membros da família moram no Brasil, em Teresina, na cidade natal, ou em Campinas, São Paulo. Vivendo na Bélgica, me sinto próximo da família e de todos através da musica brasileira que amo

P E a Bélgica, foi um país que você vestiu como sendo seu pais ?

Sim , aprendi a amar a Bélgica, a assimilar hábitos e gestos, cultura e atividades cotidianas. Me sinto adotada pela Bélgica pais que eu igualmente adotei.

P Então se o tempo voltasse , você voltaria a morar na Bélgica ?

Sim claro, como dito, aprendi a viver na Bélgica, a gostar das estações, dos passeios nas florestas outonais dos cogumelos. Em termos de arte e cultura, gosto muito da, a art noveau, e admiro e respeito os valores locais

P Você sofreu algum preconceito aqui?

Não, nunca me senti rejeitada aqui e nunca sofri nenhum preconceito

P E o Brasil você tem planos de voltar?

O Brasil é aquela irmandade eterna me sinto muito brasileira e gosto demais de prestigiar na Bélgica as atividades culturais do Brasil. Em minha casa, procuro me cercar de objetos de arte de origem brasileira. Gosto muito de trabalhos de madeira e decoro meu espaço domestico com estatuas de madeira de Fortaleza, com poster em grande formato de paisagens celebres do Rio de Janeiro, de Foz de Iguaçu, da floresta amazônica. Meus filhos, como eu, amam o Brasil. Cada um tem em seu quarto um poster em grande formato do Brasil. Meus filhos falam português e são orgulhosos de suas origens brasileiras.

E quanto ao trabalho de pesquisadores?

Eu sou Pesquisadora sênior e professora da universidade Católica de Lovaina Eu pretendo sempre continuar minhas pesquisas, mas aqui também o financiamento da pesquisa tem se tornado cada vez mais difícil. Consagro boa parte de meu tempo de pesquisadora a redigir projetos para financiamento de salários e funcionamento das atividades de laboratório. Não atribuo entretanto estas dificuldades ao fato de ser brasileira, mas creio que se tratam de dificuldades inerentes da pesquisa. Este mundo e’ muito competitivo e ser ativo, dinâmico e sobretudo produtivo em termos de publicações de resultados científicos obtidos e’ um requisito básico. Na área de fibrose cística em que trabalho, estas dificuldades me parecem ainda mais verdadeiras devido se tratar de uma doença rara.

P: E você acha que o Brasil poderia colaborar ou reconhecer ou participar mais da parte de pesquisa?

Acho sim que podemos e deveríamos trabalhar em colaboração. A fibrose cística do Brasil tem suas particularidades e estou disposta a contribuir e transferir informações e competências. Ha praticamente 10 anos vivo buscando e construindo redes de colaboração com centros universitários brasileiros. Faço-o notavelmente com o Instituto Fernandes Figueira no Rio de Janeiro, com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre e com a Universidade de Campinas Unicamp. Em relação a transferência de competências, por varias vezes recebi colegas brasileiros aqui na UCL para treinamentos e aprendizagem de novas técnicas assim como já fui ao Brasil para treiná-los e mantar equipamentos necessários ao desenvolvimentos das tais técnicas.

Entretanto, por momentos me sinto desprestigiada por alguns deles, em particular. Gostaria de sentir um retorno mais caloroso, gostaria de sentir mais motivação e reconhecimento. Sem citar nomes, já aconteceu que em publico os colegas locais apresentam resultados fornecidos por mim dizendo que são eles os autores. Não me sinto reconhecida nestas ocasiões. Considero que o beneficio final deve ser retornado ao paciente que deve ser considerado como nosso alvo. Entretanto, trabalhar juntos e clamar juntos nossos esforços seria mais simpático.

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